Cristologia Pastor e Doutor Vilmar Saretta

  1. CRISTOLOGIA: Doutrina de CRISTO

Acerca da doutrina de Cristo, apresentaremos a Jesus através de breves reflexões, respondendo as perguntas: Quem é Jesus para quem só ouviu falar Dele? Quem é Jesus para quem precisou Dele? Quem é Jesus para os demônios?  Quem é Jesus para quem andou com Ele? Quem é Jesus para Deus Pai e Deus Espírito Santo? Quem é Jesus para Jesus? Finalmente, sistematizaremos algumas idéias centrais sobre a Pessoa de Jesus a partir da teologia sistemática de Langston.

 3.1. Quem é Jesus para quem só ouviu falar Dele?

Para um grupo dos que só ouviram falar Dele, Jesus é um ídolo, um filósofo que venceu os tempos e ainda é atual por seus ensinos e filosofia, seu jeito simples de andar e ser. Para muitas pessoas desse segmento, Jesus seria uma espécie de hippie, que não aceitava a podridão de sua época. Procurava viver em paz e amor, isolado dos poderes das Sinagogas e do Império Romano, indo de aldeia em aldeia e de cidade em cidade, ensinando o amor e a paz.

Para esse grupo, Jesus foi muito alternativo, propôs um estilo de vida alternativo e uma sociedade alternativa, na qual não o poder, o trabalho, a produção e o capital estivessem no centro, mas o lazer, o prazer e a felicidade fossem o motivo de vida das pessoas.

Para outros, que também só ouviram falar Dele,  Jesus foi um humanista,  um revolucionário, que teve coragem de enfrentar os poderes dominantes, defender os pequenos, pobres e indefesos. Ele foi um homem de bem, justo que por combater as injustiças sociais, foi vítima dos poderosos e maus que o assassinaram. Jesus seria um líder político e social como foram recentemente o Che Guevara e o Gandhi.

Há ainda os religiosos que só ouviram falar Dele, para quem Jesus não passou de um charlatão, milagreiro, oportunista, que se aproveitando da situação de miséria e crendice do povo, fez alguns milagres e expulsou demônios pelo espírito de Belzebu, príncipe e cabeça dos demônios, e por isso adquiriu certa fama. Segundo eles, Jesus era um homem possuído pelo demônio: Os escribas (…) diziam: Está possesso de Belzebu, e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios. Mc 3:22

Existe os que acreditam que Ele foi um dos profetas do passado, ou como um dos profetas; o filho único de Maria e de José. O pobre e desamparado bebê que não tinha onde nascer. Viveu dependendo de Maria,  e morreu como vítima, fraco e vencido. Só não sofreu mais por ter uma mãe superprotetora e rainha que o cuidou em todas as circunstâncias, e inclusive no calvário.

Outros, finalmente, que também só ouviram falar Dele, pensam que Jesus foi um grande fundador de religião, um espírito de luz, mentor que vem numa nave, místico, um mestre dos gurus, um vidente extraordinariamente desenvolvido, modelo para que todos os homens evoluam e cheguem ao seu nível espiritual, fazendo-se como deus.

Será que Jesus é isso mesmo que dizem os que apenas ouviram falar Dele?

 3.2. Quem é Jesus para quem  precisou Dele?

Reunimos a seguir afirmações de algumas pessoas que precisaram de Jesus.

Na Bíblia, no Evangelho segundo Mateus, capítulo 8, versículo 2, encontramos um leproso que adorou a Jesus dizendo: “Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo“. Jesus respondeu: “Quero, sê limpo“. E o leproso foi curado.

Ainda em Mateus 8, nos versículos de 5 a 13, um chefe militar implorou a Jesus que curasse um criado que estava “paralítico em terrível sofrimento“. O centurião disse a Jesus: “Senhor, não sou digno de receber-te sob o meu teto, mas dize somente uma palavra e o meu criado ficará são.” E disse que tinha autoridade sobre os soldados, os mandava e eles o obedeciam. E acreditava que Jesus tinha autoridade sobre as enfermidades; bastava Ele ordenar, e elas sairiam,  mesmo com o doente distante. E Jesus curou à distância o criado do centurião do Império romano.

Assim, para esse comandante militar que precisou Dele, Jesus era uma grande autoridade espiritual, o Senhor dos Exércitos, com poderes para curar a todos de qualquer doença.

Em Mateus capítulo 8, nos versículos de 23 a 27, levantou-se no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Os discípulos apavorados disseram a Jesus: “Senhor, salva-nos!” Ele repreendeu os ventos e o mar, e tudo se acalmou. Então eles admirados disseram: “Quem é este homem, que até os ventos e o mar lhe obedecem?

Para esses homens que precisaram Dele, Jesus ainda era uma grande incógnita.

Também em Mateus capítulo 20, versículos de 29 a 34 Jesus curou a dois cegos. Antes de serem curados, clamaram a Jesus: “Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós!”

Pelo Antigo Testamento, chamar alguém de Senhor, Filho de Davi, só seria permitido se Ele fosse o Messias de Israel, o Salvador, o Prometido, o Cristo de Deus.

Em Lucas, capítulo 7, dos versículos 11 ao 17 é narrado um momento magistral em que Jesus ressuscitou o filho único de uma viúva de Naim. Jesus, cheio de compaixão disse à viúva: “Não chores“. Então, falou com o morto que era carregado no caixão: “Jovem, a ti te digo: Levanta-te“. Imediatamente o defunto assentou-se e começou a falar.

Não há registro de palavras da mãe, mas: “De todos se apoderou o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo.”

Marta e Maria receberam um dos maiores milagres que Jesus realizou ao vir em carne no mundo: o retorno à vida de seu irmão Lázaro ressuscitado após 4 dias de sua morte.

Ao encontrar-se com Jesus, Marta assim se expressou: “Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido“. E, prosseguiu: “Mas ainda agora sei que tudo o que pedires a Deus, ele te concederá.” E adiante:  “Senhor, creio que és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo.” E ao falar com sua irmã Maria, chamou a Jesus de “O Mestre“.  João 11:22, 27,28

Com efeito, por essas palavras percebe-se que para Marta que precisou Dele,  Jesus é o Senhor da vida e também da morte; o Filho de Deus, o Mestre.

 

3.3. Quem é Jesus para os demônios?

 Para responder a pergunta: Quem é Jesus para os demônios, reunimos a seguir afirmações de alguns demônios frente a Jesus.

No Evangelho segundo Lucas, no capítulo 4, versículos de 33 a 35 está escrito: “Estava na sinagoga um homem possesso de demônio, um espírito imundo, o qual exclamou em alta voz: Ah! que temos nós contigo, Jesus de Nazaré? Vieste a destruir-nos? Eu sei quem és: o Santo de Deus. Jesus o repreendeu: Cala-te, e sai dele. E o demônio, lançando-o por terra no meio do povo, saiu dele sem lhe fazer mal.

Nota-se que o homem possesso de demônio era um religioso, talvez muitos o considerassem um homem de Deus, pois freqüentava a sinagoga. Porém, o demônio que estava nele não suportou a presença e o poder de Jesus, e se manifestou.

Para o demônio que estava nesse homem, Jesus é o Santo de Deus, que tem poder para destruir os demônios, posto que ele reconhece: vieste destruir-nos, e não destruir-me. E o demônio teve de ir embora, porque mesmo sendo espírito caído, portanto, rebelde, não resiste  a presença e ao comando de Jesus.

Em Marcos, capítulo 5, dos versículos 1 ao 20 é narrado outro encontro de Jesus com um homem possesso, não de um, mas de uma legião, cerca de dois mil demônios. O homem era tão perturbado que vivia em sepulcros e quando preso em grilhões e cadeias, os destruía e ninguém podia dominá-lo. “Quando ele viu a Jesus de longe, correu e adorou-o, clamando em alta voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes.  Ao serem expulsos por Jesus, “Saindo aqueles espíritos imundos, entraram nos porcos, e a manada (que era cerca de dois mil), precipitou-se por um despenhadeiro no mar, onde se afogaram.

Os demônios vieram correndo e adoraram a Jesus.  Satanás foi expulso do Paraíso, justamente por não mais querer adorar e obedecer voluntariamente a Deus. Queria ser igual a Deus. Entretanto, mesmo não querendo, os demônios têm que adorar e obedecer a Jesus.

Como notamos, para esses demônios, Jesus é o Filho do Deus Altíssimo que pode atormentá-los; por isso eles se dobram diante Dele.

Também em Marcos, no capítulo 3, versículo 11, lemos: “Os espíritos imundos, vendo a Jesus prostravam-se diante dele, e clamavam: Tu é o Filho de Deus.

Por que os demônios temeram ser atormentados por Jesus?

Porque está escrito em Apocalipse 20, versículo 10 e em outras passagens bíblicas que os demônios serão lançados no lago de fogo e enxofre, e serão atormentados de dia e de noite para todo o sempre. Sabendo que Jesus é o Todo-poderoso, os demônios apavorados não quiseram ser lançados onde sabem que passarão a eternidade. Como ainda não era o fim dos tempos, Jesus apenas os expulsou do homem, libertando-o, e permitiu aos demônios continuarem na terra até o tempo determinado por Deus.

Acerca do poder de Jesus sobre os demônios também está escrito em Lucas 9:1:  “Tendo convocado os doze discípulos, Jesus deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para curarem enfermidades.

Para os demônios, prostrarem-se ante Deus é um tormento gigantesco. Contudo, eles não têm escolha, uma vez que se rebelaram contra Deus, sempre terão de prostrar-se como vencidos de guerra perante Jesus.

 

3.4. Quem é Jesus para quem andou com Ele

Para João Batista, que andou pela fé com Ele, Jesus é: o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! (…) “que tem a primazia” (…) “aquele que vem do céu {e} é sobre todos.  Aquele que Deus enviou {e que} fala as palavras de Deus, pois Deus lhe dá o Espírito sem medida. O Pai ama o Filho, e todas as coisas confiou às suas mãos.” (Cf. Jo 1:29,30 Deus conosco

O ; 3:31,34-35).

O Apóstolo Pedro andou pela fé e fisicamente com Jesus deste os primeiros dias do ministério de Jesus. Ele se expressou assim: “Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo”  (2 Pe 1:1).

Como percebemos, para Pedro, Jesus é Deus, Salvador e Cristo.

Para o Apóstolo João, que andou com Ele fiscamente e pela fé, Jesus é a vida eterna, o Filho de Deus: “Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.” (1 Jo 5:11b-12).

Paulo, que teve um encontro em glória e que andou pela fé com Jesus, assim escreveu: “aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tt 2:13).

A exemplo de Pedro, e de muitos outros discípulos que andaram com Ele, para Paulo, Jesus é o grande Deus, Salvador e Cristo.

Ainda para Paulo, Jesus é o Deus vivo que sendo em forma de Deus, esvaziou-se a si mesmo fazendo-se semelhante aos homens para salvar a humanidade. E  prossegue: “Pelo que Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Cristo Jesus é o Senhor, para glória de Deus Pai.” (Cf.  Fp 2:5-11).

Tomé, o apóstolo mais “científico”, que queria tocar, sentir, olhar para crer, ao ver Jesus ressuscitado, disse-lhe: “Senhor meu e Deus meu!” (Jo 20:28).

Para o escritor da carta aos Hebreus, que andou por fé com Jesus, Deus falou outrora através dos profetas, e: “a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo,  por quem fez o mundo. O Filho é o resplendor da sua glória e a expressa imagem da sua pessoa, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder. Havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade nas alturas.” (Hb 1:2-3).

Por essa passagem bíblica entendemos que a gravitação universal, a sincronia de todo o universo é obra da palavra de Jesus. Basta, portanto, uma palavra de Jesus para que tudo, estrelas, planetas, etc. saiam da órbita natural, criando o caos universal.

Para Mateus, Apóstolo e Escritor de um Evangelho, e que andou com Ele,  Jesus é: “Emanuel, que quer dizer: Deus conosco.” (Mt 1:23b).

Para outros que andaram com Ele, Jesus é o Homem de Nazaré, o Leão da tribo de Judá; O Sol da Justiça; o Sol nascente das alturas; é o autor da vida e da fé; o desejado das Nações, o Messias; o  Pão da Vida; a Fonte dos mananciais, etc.

 

3.5. Quem é Jesus para Deus Pai e Deus Espírito Santo?

Toda a Bíblia foi inspirada por Deus, e ministrada pelo Espírito Santo. A seguir apresentaremos quem é Jesus para a Pessoa de Deus Pai e de Deus Espírito Santo.

Nos evangelhos estão registradas passagens nas quais Deus Pai manifesta-se diretamente sobre quem é Jesus, apesar de geralmente o fazer pelo seu Espírito Santo. Assim, em Lucas 3:22 está escrito: “e o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma corpórea, como uma pomba. E ouviu-se uma voz do céu: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.” (Cf. também Mt 3:16,17; Mc 1:9-11).

Em Mateus 16:16,17 lemos: “Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Respondeu-lhe Jesus: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, pois não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai que Está nos céus. 

Em João, 3:16 lemos: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Com efeito, para Deus Pai, Jesus é o Filho amado, o único Filho do Deus vivo, o Messias e Salvador que dá a vida eterna a todos os que crêem e o recebem.

O livro dos Salmos expressa muito sobre quem é Jesus para Deus:

Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-se à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés. Jurou o Senhor, e não se arrependerá: Tu és sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque.” (Sl 110:1,4).

Eu ungi o meu Rei sobre o meu santo monte Sião. Proclamarei o decreto do Senhor: Ele me disse: Tu és meu Filho (…) Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e os fins da terra por tua possessão.” (Sl 2:6-8).

Em Salmos 22, dos versículos 27 ao 31 consta que todos adorarão a Jesus, pois o reino é do Senhor e ele domina entre as nações.

Em Salmos 24:8,10b, Deus apresenta Jesus como o Rei da Glória, o Senhor dos Exércitos: “Quem é esse Rei da Glória? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na guerra. O Senhor dos Exércitos, ele é o Rei da Glória. 

No livro do profeta Isaías 7:14, Deus apresenta a Jesus como o nascido da virgem, o Emanuel, (que significa Deus conosco, Cf. Mt 1:23). Em Isaías 11:2, lemos sobre Jesus: “Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de inteligência, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor.” E no capítulo 59:20 Jesus é o Redentor.

Em Isaías 9:6,7a Deus nos fala por seu Espírito:

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o principado está sobre os seus ombros, e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.

Do aumento do seu governo e paz não haverá fim. Reinará sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o fortificar em retidão e justiça, desde agora e para sempre.

Assim, em síntese, para Deus Pai e o Espírito Santo, Jesus é o Rei do reino de Deus, é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores, o Senhor dos Exércitos, perfeito homem e perfeito Deus, o doador da Paz. Jesus é o único sacerdote eterno e está  assentado à direita de Deus Pai, para interceder e ajudar os homens em todos os tempos. Jesus é o Deus Forte e O Pai da Eternidade.

Em Lucas 1:32, o Espírito Santo nos fala sobre Jesus: “Este será grande, e será chamado Filho do Altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai.”  O Espírito prossegue falando sobre Jesus em Lucas 2:11: “Na cidade de Davi vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

No Evangelho de João 1:1,3,14,18 o Espírito Santo nos revela acerca de Jesus:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

O Verbo se fez carne, e habitou entre nós. Vimos a sua glória, a glória como do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. 

 Ninguém nunca viu a Deus, mas o Deus unigênito, que está ao lado do Pai, é quem o revelou.

Com efeito, para Deus, Jesus é o Filho do Altíssimo, o Verbo de Deus, o Deus unigênito, o Salvador, o Cristo, feito homem para salvar a humanidade.

Na carta aos Colossenses 1:16-18, assim nos ensina o Espírito Santo sobre Jesus:

Pois nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele.  Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.

Lucas 2:25-31 registra que o Espírito Santo havia revelado ao justo e temente Simeão que não morreria antes de ver o Cristo do Senhor. Ao ver Jesus, Simeão, pelo Espírito de Deus, expressou-se desse modo: “Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra, pois os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste perante a face de todos os povos, luz para iluminar os gentios, e para glória do teu povo Israel. 

Como percebemos, para o Deus Espírito Santo, Jesus é o Criador de tudo e para quem é tudo,  e tudo subsiste por Ele; Ele é a salvação que Deus preparou para todos os povos.

Em Apocalipse 19:11b,13,14a,16, numa visão da glória, foi revelado a João pelo Espírito de Deus acerca de Jesus:

“chama-se Fiel e Verdadeiro, e julga e peleja com justiça. Estava vestido com um manto salpicado de sangue, e o nome pelo qual se chama é o Verbo de Deus. Seguiam-no os exércitos que estão no céu. No manto, sobre a sua coxa tem escrito o nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores.”

Deus também ensina de Jesus: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual se deu a si mesmo em resgate por todos, para servir de testemunho a seu tempo. ” (1 Tm 2:5-6).

Em Atos 4:12, o Espírito Santo falando através de Pedro a cerca de Jesus determina: “Em nenhum outro há salvação, pois também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.

Como constatamos pelas citações, para Deus, o único Mediador entre Deus e os homens; o único nome pelo qual os homens são salvos.

 

3.6. Quem é Jesus para Jesus?

Em muitíssimas passagens da Bíblia podemos conhecer a Jesus, mas existem algumas em que Ele se dá a conhecer aos homens mais diretamente. Nesse texto veremos quem é Jesus para o próprio Jesus. Quem, melhor do que Ele para se apresentar?

Com efeito, no Evangelho de João, capítulo 10, versículos 11 e 18, Jesus se apresenta assim:

Eu sou o  bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas.

Ninguém a tira de mim, mas eu espontaneamente a dou. Eu tenho autoridade para dá-la, e autoridade para tornar a tomá-la. Este mandato recebi de meu Pai.

Em João 5:21,22,24,  Jesus afirma:  “Pois assim como o Pai ressuscita e vivifica os mortos, assim também o Filho vivifica aqueles a quem quer. O Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo (…) Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.

Percebemos que Jesus é o Bom Pastor, com autoridade sobre sua vida e morte e sobre a vida e a morte de todos. Além disso, é o grande e único Juiz dos vivos e dos mortos, podendo salvar a todos os que crêem em Deus. E ainda que é o Salvador, Jesus disse em Lucas 19:10:  “Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.

Jesus faz outra revelação extraordinária em João 11:25, que Ele é a ressurreição e a própria vida:  “Disse Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; ” Além disso, nos mostra que Ele é o único meio para chegarmos a Deus Pai e que é a verdade: “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão  por mim.”  (Jo 14:6).

Poder-se-ia pensar que para alguém ser salvo precisaria de religião, e que só os bons iriam para o céu, mas Jesus, e não as religiões, veio buscar e salvar os que se haviam perdido. E no momento de seu grande sofrimento na cruz, Ele, o Filho amado de Deus Pai, que perdoa os piores pecados, perdoou até os que o crucificaram: “Jesus disse: Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem.” (Lc 23:34a).

Em relação à sua divindade, Jesus afirma ser o alicerce, o fundamento da criação de Deus, aquele que aprova as decisões, ou seja, “o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus” (Ap 3:14b). E que sempre existiu, e existirá: “Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão nascesse, eu sou!” (Jo 8:58). E ainda em Apocalipse, 1:8,18 Jesus se apresenta: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-poderosoEu sou o que vivo; fui morto, mas estou vivo para todo o sempre! E tenho as chaves da morte e do inferno.

Em relação a trindade divina, Jesus nos ensinou em João 15:26 “Quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos enviarei, o Espírito da verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim. ” E que Ele tem todo o poder no céu e na terra:  “Chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto, ide e fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28:18-19).

 

 

 

 

 

3.7. A PESSOA DE JESUS [1]

 Ao longo da História, surgiram erros acerca da Pessoa de Jesus.  Vejamos alguns:

Os Ebionistas, que  surgiram no ano 107 depois de Cristo, negavam a realidade da natureza divina de Cristo. Para eles, Cristo era somente homem.

Os Docetas, apareceram  no ano 70 da era cristã, e existiram até por volta do ano 170. Eles negavam a humanidade de Cristo. Segundo eles, todas as coisas materiais eram, por natureza, más. Cristo sendo bom, não tinha matéria. O corpo de Jesus era aparente, e não real.

O Arianismo surgiu no ano 325 com Ário, o qual negava a integridade e a perfeição da natureza divina de Cristo. Para ele, o Verbo não era Deus, senão uma criatura, um dos seres mais altos do Criador.

A teoria de Apolinário apareceu no ano 381 da era cristã, negando a integridade da natureza humana de Cristo. Para Apolinário, Cristo não tinha mente humana, tinha apenas o corpo e o espírito de homem. Cristo seria constituído de corpo, verbo e espírito.

A teoria de Nestório apareceu no ano 431. Negava a união verdadeira entre as duas naturezas de Cristo. Atribuía a Cristo duas partes ou divisões, uma humana outra divina. Assim, por exemplo, quando dormia, Jesus estava com a parte humana, ao acordar e repreender os ventos, era a parte divina em ação.

Na teoria de Eutiques as duas naturezas de Cristo fundiram-se e formaram uma terceira natureza. Assim Jesus não era nem divino, nem humano.

Contudo, “Segundo os ensinos da Bíblia, há uma só personalidade em Cristo, mas duas naturezas: a humana e a divina, cada qual perfeita.[2]

Cristo foi perfeitamente homem: O próprio Jesus chama-se homem (Jo 8:40; Lc 24:39). O Apóstolo Pedro o chamou de homem (At 2:22). Também o Apóstolo Paulo reconheceu a Jesus como homem (Rm 5:15; 1 Tm 2:5).

Jesus tinha poderes e características da natureza humana: sentia fome (Mt 4:2), tinha necessidade de dormir (Mt 8:24), sentia cansaço (Jo 4:6), sede (Jo 19:28).

Jesus tinha uma mente humana, pensava, conhecia, sentia amor (Mc 10:21); estava sujeito as leis do desenvolvimento: o menino crescia (Lc 2:40-46); aprendeu a obediência (Hb 5:8). Jesus padeceu (Lc 22:44) e morreu (Jo 19:30-33).

Jesus foi em carne perfeitamente Deus: concebido de modo sobrenatural, pelo Espírito do Altíssimo (Lc 1:34,35), sua natureza revela pureza total, sem depravação (Jo 8:46); foi tentado mas não pecou (Hb 4:15; 2 Co 5:21; 1 Pe 1:19).

Jesus não é homem como Paulo, não é Deus como o Pai, mas é Deus-homem. Nunca o hífen (-) teve tanta significação como aqui, entre estas duas palavras. Ele liga-as e divide-as ao mesmo tempo.” [3]

Jesus é Deus (Jo 1:1,18; 3:12-13; 8:58; 14:9-10). Enquanto em carne na terra, exercia poderes divinos ( Jo 2:24-25; Mc 4:39).

As Escrituras representam Jesus Cristo como uma só Pessoa, em que se unem as duas naturezas, divina e humana, e cada uma delas perfeita quanto à essência e quanto aos seus atributos. [4]

Langston considera isso um mistério, impossível de explicarmos. Nosso Salvador Jesus é tão maravilhoso que o homem não O pode compreender em toda a sua plenitude. Contudo, as provas da união dessas duas naturezas perfeitas são inúmeras: Jesus sempre falava de si mesmo e os outros também falavam a respeito dele como de uma só pessoa (Jo 17:22; 1 Jo 4:2; 1 Pe 3:18; Ef 4:10).

O Verbo uniu-se com a humanidade pela encarnação (Jo 1:14). Essa união das duas naturezas em Jesus, uma única Pessoa, é de extrema importância (Mt 11:27; Jo 17:3; Cl 1:27; 2:2-3).

Quando Jesus estava em carne na terra, tinha poderes que não pertenciam aos homens em geral. Mas não os usou para prevalecer-se, como na tentação do diabo. Usou-os quando a multidão estava faminta ou os discípulos encontraram-se em perigo em alto mar.

Quando a natureza divina se uniu à humana, tornou-se possível a Jesus Cristo padecer, sofrer e morrer.

Sem a união eterna e indissolúvel da natureza divina com a humana não poderia haver verdadeira mediação entre Deus e o homem (Hb 2:17-18; 4:15; 7:24-28; 1 Tm 2:5).

Jesus esvaziando-se de sua glória e estado original, assumiu o estado de humilhação, fazendo-se homem, servo e dando sua vida em morte vergonhosa (Fl 2:6-8; 2 Co 8:9).

O Verbo submeteu-se completamente ao Espírito Santo (Lc 1:35; Mt 4:1; At 1:2; 10:38; Hb 9:14). Jesus viveu como todo homem deve viver, uma vida em perfeita harmonia e comunhão com Deus.

Após sua morte, Jesus ressuscitou, voltou à destra do Pai e recebeu novamente sua glória que tinha antes que o mundo existisse (At 7:55).

Na terra, Jesus exerceu três grandes ofícios da maneira mais perfeita que se pode imaginar: o de profeta, o de sacerdote e o de rei.  Nunca um rei governou tão sabiamente; nunca houve sacerdote que oferecesse sacrifício tão completamente perfeito; nunca houve profeta que interpretasse tão fielmente os atos e a vontade de Deus e desfizesse tão profundamente as trevas da humanidade.

Como profeta, Jesus revelou da maneira mais completa a vontade de Deus ao mundo; como sacerdote, fez o sacrifício perfeito para expiação do pecado; e, como Rei, estabeleceu o seu Reino e começou a reinar no coração dos homens.[5]

O ofício do profeta era encaminhar o povo nos caminhos de Deus. Havia de ser um homem em íntima comunhão com Deus para fazer os homens conhecerem o que Deus estava procurando realizar em suas vidas. Ele ensinava o povo, predizia os acontecimentos futuros e operava milagres.

O Trabalho profético de Jesus envolve quatro períodos: o preparatório do Verbo antes de se encarnar; o do ministério terrestre; o período do trabalho profético de Jesus desde a sua ascensão até a consumação dos séculos e finalmente, Jesus continua revelando as coisas do Pai aos santos na glória (Jo 16:25; 1 Co 13:12).

O sacerdote representava os homens diante de Deus. Jesus, por sua relação íntima com o homem era o sacerdote ideal. O sacerdote cumpria seu ofício oferecendo sacrifícios e fazendo intercessão. Jesus é o perfeito, o eterno, o santo e o imaculado Sumo Sacerdote, separado do pecado, mais sublime que os céus (Hb 7:24-28).

Jesus sofreu e morreu em nosso lugar para que pudéssemos ser salvos. Deus havia dito desde o princípio: “a alma que pecar, essa morrerá”. Essa lei não pode ser revogada. Deus, por sua graça, nos deu seu único Filho para tomar o nosso lugar na morte. E ao ressuscitar Deus pode nos salvar.

Jesus pagou o grande preço do derramamento de seu sangue e nos resgatou da escravidão do pecado (Mt 20:28; 1 Tm 2:6; 2 Pe 2:1; 1 Co 6:20).

Jesus obedeceu a Lei, satisfez todas as exigências da Lei de Deus, e assim remiu os que estavam debaixo da Lei, para receberem a adoção de filhos (Gl 4:4,5); Mt 3:15).

A morte de Cristo é uma grande manifestação do amor de Deus aos homens, e também tem por fim despertar o amor do homem para com Deus (Jo 3:16; Rm 5:8).

Desse modo, Jesus tornou-se o mediador, reconciliou Deus com os homens por meio de um sacrifício perfeito (Hb 9:11,12; Rm 5:10; Cl 1:20; Is 53:4-12).

Havia em Deus um problema a ser resolvido antes que o homem pudesse reconciliar-se com ele. Deus não podia perdoar o homem sem que fossem satisfeitas as exigências da sua própria natureza, da sua dignidade agredida pelo pecado e rebelião do homem.

O fim do perdão é comunhão. O grande problema de reconciliação não é de Deus baixar-se ao nível do homem, mas, sim, de elevar o homem ao nível de Deus. As ofensas do homem eram tão grandes que não havia possibilidade da raça por si mesma operar a sua reconciliação com Deus. Era necessário que o Filho do homem fosse morto para reconciliar Deus com o homem. Jesus, por ser Deus, achava-se em condições de satisfazer às exigências da natureza de Deus

O grande fim de Jesus em relação à  humanidade toda era trazê-la ao arrependimento e a uma nova comunhão com Deus Pai. Por causa da sua humanidade, Jesus fez o que o homem não podia fazer. Com sua morte deu a esperança e a certeza de comunhão íntima com Deus.

O homem, porém, precisa chegar-se a Deus por meio de Jesus Cristo para desfrutar da salvação e da comunhão com Deus (Jo 14:6; 1 Tm 2:5,6). Pois, a salvação de Jesus Cristo, quanto a sua base, é universal, portanto, suficiente para toda a humanidade. Contudo, quanto à sua aplicação, limita-se exclusivamente aos que crêem (Jo 3:15-18; Rm 3:22-24).

Para que os homens creiam e sejam socorridos em suas necessidades, Jesus continua seu trabalho intercessório (Lc 23:34; Jo 14:16; 17:9; Hb 2:17,18).

Jesus Cristo há de reinar sobre todas as coisas, assim no céu como na terra (Sl 2:6-9; Mt 25:31,32; 28:18). Ele reinará na sua igreja militante, isto é, na Igreja que aqui na terra luta contra o mal (Lc 2:11; Jo 18:37;Ef 1:22). E também reinará na sua igreja triunfante (Ap 1:6-8; 1 Pe 3:21,22).

 

[1] Este texto é um resumo de partes do capítulo 5: A Doutrina da Pessoa de Cristo, de A. B. LANGSTON. Esboço de Teologia Sistemática,  pp. 175-197.

[2] A.B. LANGSTON. Esboço de Teologia Sistemática,  p. 177.

[3] A. B. LANGSTON. Esboço de Teologia Sistemática. p. 180

[4] Ibidem, p. 180,181

[5] A.B. LANGSTON. Esboço de Teologia Sistemática, p. 187.